A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o duplo homicídio que vitimou o advogado Cássio de Souza, de 40 anos, e o servidor público municipal Hugo Centurião Enciso, 49, no dia 1º deste mês em Caarapó.
Antônio Marques da Silva, de 55 anos, foi o autor dos tiros que vitimaram os dois amigos. O crime ocorreu após uma briga entre as vítimas, o autor e outros dois homens – o filho dele, Antonio Lucas Bispo da Silva, de 31 anos, e o ex-genro, Alex dos Santos Silva, 34.
No momento em que foi preso na companhia de Alex, no dia seguinte às mortes, Antônio acusou o ex-genro de ser o dono da arma e autor dos tiros. Alex, por sua vez, afirmou que o ex-sogro tinha matado Cássio e Hugo pelas costas.
Nesta segunda-feira (30), o delegado Ciro Jales, responsável pelas investigações, disse que a reconstituição dos fatos, no dia 19, ajudou a esclarecer as dúvidas que ainda existiam. Com o esclarecimento, Antônio foi indiciado por duplo homicídio qualificado e deve continuar preso até o julgamento. Os outros dois suspeitos ainda seguem recolhidos, mas devem ser soltos nos próximos dias.
“No curso do trabalho policial, foram reunidos e examinados depoimentos dos investigados e testemunhas, imagens de câmeras de segurança, vídeo relacionado aos instantes que antecederam os disparos, laudo de exame em local de crime, laudos necroscópicos, exames balísticos, análise de arma de fogo e objetos, extração de dados de aparelhos celulares e, ainda, a reprodução simulada dos fatos”, explicou o delegado.
Segundo Ciro Jales, as investigações demonstraram que os homicídios foram precedidos pelo desentendimento ocorrido na área central da cidade, que se prolongou até a residência de Alex, na Rua Américo Vespúcio, onde os fatos tiveram desfecho.
“A partir da prova reunida, a Polícia Civil reconstituiu a dinâmica da ação, identificando a sequência dos disparos, a posição das vítimas e a forma como os fatos se desenvolveram. A arma de fogo utilizada no crime, um revólver calibre 38, foi apreendida no interior do veículo empregado na fuga pelo autor”, detalhou.
Com base nas investigações, o delegado concluiu pela existência de prova da materialidade e indícios suficientes de autoria em relação a Antônio Marques da Silva.
“O inquérito policial foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público para as providências cabíveis, estando o autor preso preventivamente desde o dia 02/03/2026. Caso a imputação seja recebida e, ao final da fase de instrução, sobrevenha decisão de pronúncia, o caso poderá ser submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri”, informou.
As mortes
Segundo as testemunhas, Cássio de Souza e Antonio Lucas eram amigos. Apesar de terem desentendimentos frequentes, estavam sempre juntos, conforme o primeiro depoimento de Alex Santos.
Alex e Antônio afirmaram que Lucas e Cássio começaram a brigar em frente à conveniência na área central da cidade após um bate-boca envolvendo outro morador. Lucas teria falado mal desse indivíduo, que também era amigo do advogado.
Cássio não gostou e os dois discutiram. Com um taco de beisebol que carregava em seu Golf preto, Lucas tentou golpear o advogado, mas Cássio conseguiu tomar o objeto, o acertou com um golpe no braço e correu atrás do amigo.
Lucas se refugiou na casa de Alex, na Rua Américo Vespúcio, no Bairro Capitão Vigário. Cássio e Hugo Enciso, que também havia se envolvido na primeira briga, foram ao local para tirar satisfações. Houve nova discussão envolvendo os cinco homens. O advogado e o servidor foram alvejados a tiros e morreram no local.
Após as mortes, Antônio e Alex fugiram em um Palio branco. Lucas foi em seu Golf preto. Presos na manhã do dia seguinte deixando Juti em direção a Caarapó, Antônio Marques e Alex Santos estavam no Palio. O revólver usado no crime estava embaixo do tapete.
Lucas se apresentou à Polícia Civil em Dourados no dia 3 de março e também apontou Alex Santos da Silva como autor dos tiros, repetindo a versão apresentada pelo pai.