Solto por desembargador do TJMS em 2020, narcotraficante foi localizado hoje em Santa Cruz de La Sierra
A prisão do narcotraficante internacional Gerson Palermo, ocorrida nesta terça-feira (26) em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, é resultado de uma investigação iniciada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul em outubro do ano, após o criminoso determinar o sequestro da própria filha, em Campo Grande. A ação para prender Palermo, apontado como peça importante da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), envolveu forças policiais brasileiras e bolivianas. As diligências tiveram início após a identificação do sequestro motivado por disputa envolvendo valores relacionados ao narcotráfico.
Na época do sequestro, ações integradas pelo Garras e pela DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente) resultaram na localização e libertação da vítima, além da prisão de um dos sequestradores, em Campo Grande.
A partir da elucidação do caso, as investigações prosseguiram por meio do Núcleo de Inteligência Policial da DEPCA, em atuação conjunta com a Polícia Federal e a Força Especial de Combate ao Narcotráfico da Bolívia, permitindo identificar a localização de Gerson Palermo na região de Santa Cruz de La Sierra.
Após meses de monitoramento e troca de informações estratégicas entre as forças de segurança, a polícia boliviana deflagrou hoje a operação que culminou na captura do alvo. Gerson Palermo é apontado como integrante de organização criminosa ligada ao narcotráfico internacional, com atuação no tráfico transnacional de cocaína, lavagem de dinheiro e articulação logística entre Brasil e Bolívia.
O investigado possui histórico de condenações e era considerado foragido de alta relevância, figurando em mecanismos de cooperação policial internacional em razão de sua periculosidade e vínculos com o crime organizado transnacional.
De acordo com a Polícia Civil do Mato Grosso do Sul, a prisão representa um importante resultado da integração entre as forças policiais brasileiras e bolivianas no enfrentamento ao crime organizado, especialmente em delitos de alta complexidade envolvendo tráfico internacional de drogas, violência armada e organizações criminosas.
Desembargador
No início de 2026, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) puniu o desembargador Divoncir Maran, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, à aposentadoria compulsória. A decisão foi uma punição administrativa pelo fato de o desembargador conceder habeas corpus para Gerson Palermo, em 2020, quando o criminoso já estava condenado a mais de 100 anos de prisão.
Em 21 de abril daquele ano, já na pandemia do coronavírus e feriado de Tiradentes, Palermo foi enquadrado no grupo de risco para a covid-19 e conseguiu prisão domiciliar com monitoramento eletrônico durante o plantão de Divoncir Maran.
Para conseguir o habeas corpus, a defesa alegou que Gerson Palermo tinha mais de 60 anos, sofria de diabetes, hipertensão e por isso corria risco de contrair a covid-19 no cárcere. No dia seguinte, o desembargador Jonas Hass Silva Júnior, relator do processo, revogou o habeas corpus e restabeleceu a prisão, mas Palermo rompeu a tornozeleira eletrônica e desapareceu. Por seis anos ficou foragido até ser preso hoje na Bolívia.