Adel Hassan Haidar, de Ponta Porã, está entre os presos na Operação Ifrit
Armas apreendidas em Ponta Porã (Foto: Divulgação)
O empresário Adel Hassan Haidar, integrante de uma família conhecida na região de fronteira entre Mato Grosso do Sul e Paraguai, está entre os alvos da Operação Ifrit, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Receita Federal na manhã desta quarta-feira (4). A investigação mira uma organização criminosa transnacional suspeita de movimentar grandes quantidades de drogas e armas, além de utilizar estruturas empresariais e financeiras para lavagem de dinheiro.
Adel atua no setor empresarial em Ponta Porã e aparece nos registros como sócio-administrador da empresa Adel Hassan Haidar Ltda., que utiliza o nome fantasia Residencial Nossa Senhora. A empresa foi aberta em maio de 2001 e tem como atividade principal o setor de hospedagem, além de atividades cadastradas no comércio de veículos.
Conforme reportagem do portal Campo Grande News, o empresário foi preso durante a operação. Entretanto, até agora a Polícia Federal não detalhou qual seria a participação atribuída a ele na organização criminosa. Um arsenal foi apreendido durante as buscas em Ponta Porã.
A investigação aponta que o grupo seria liderado por um núcleo familiar e teria ligações com facções criminosas, contando ainda com a participação de agentes das forças de segurança pública, incluindo policiais civis e militares de Mato Grosso do Sul e um policial rodoviário federal.
Fronteira era base estratégica
Um dos principais pontos da investigação é a atuação da organização criminosa na região de fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Conforme os levantamentos da Polícia Federal, o grupo utilizava a localização estratégica para movimentar drogas e armas, mantendo ramificações em outros estados brasileiros.
As apurações indicam que os entorpecentes e armamentos eram adquiridos em países como Bolívia, Peru e Paraguai. Parte da droga abastecia o mercado brasileiro, enquanto carregamentos eram encaminhados para o exterior, principalmente para Espanha e Portugal.
A estrutura criminosa também é investigada por envolvimento em sequestros, torturas, atentados e homicídios. Segundo a PF, os integrantes utilizavam armamento pesado, veículos blindados e estruturas de apoio para exercer controle territorial e intimidar grupos rivais.
Policiais também são investigados
A Operação Ifrit também alcança integrantes das forças de segurança suspeitos de colaborar com a organização criminosa. Entre os investigados estão policiais civis e militares de Mato Grosso do Sul, além de um policial rodoviário federal.
A Justiça Federal de Campo Grande autorizou o cumprimento de 76 mandados de busca e apreensão, 25 de prisão preventiva e um de prisão temporária. Também foram determinadas três medidas de monitoramento eletrônico e o afastamento de três policiais civis de suas funções.
As diligências ocorrem em sete estados: Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia. Em MS, os alvos são de Campo Grande, Ponta Porã, Jaraguari e Cassilândia.
A operação busca desarticular a estrutura financeira e operacional da organização, identificar os responsáveis pela movimentação internacional de drogas e armas e aprofundar a apuração sobre a possível participação de agentes públicos.