Casos considerados prováveis — que incluem confirmados e suspeitos — somam 2.690
Dourados segue enfrentando um cenário preocupante de avanço da chikungunya, com aumento expressivo de casos, alta taxa de transmissão e impacto direto na rede de saúde. Os dados constam no mais recente informe epidemiológico divulgado nesta segunda-feira (6/4), pela Secretaria Municipal de Saúde.
De acordo com o levantamento, o município já contabiliza 3.746 notificações da doença. Desse total, 1.387 casos foram confirmados e outros 1.831 seguem em investigação. Os casos considerados prováveis — que incluem confirmados e suspeitos — somam 3.218.
A taxa de positividade está em 72,43%, índice que indica intensa circulação do vírus e reforça o cenário epidêmico. Conforme a Vigilância Epidemiológica, esse percentual está muito acima do considerado aceitável em parâmetros internacionais.
A análise da curva de casos aponta que a epidemia ainda está em crescimento. Embora haja sinal de queda nas semanas mais recentes, o próprio relatório alerta que isso pode estar ligado ao atraso na atualização dos dados, comum em períodos de alta demanda nos serviços de saúde.
A pressão sobre a rede pública também já é evidente. Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), a média diária de atendimentos saltou de cerca de 302 para aproximadamente 449 pacientes nos últimos dias, o que acompanha o aumento de pessoas com sintomas da doença.
Nos hospitais, 46 pessoas estão internadas com suspeita ou confirmação de chikungunya, distribuídas entre unidades públicas e privadas do município.
Em relação aos óbitos, Dourados já confirmou cinco mortes pela doença neste ano, todas de pacientes indígenas. Outros dois óbitos seguem em investigação, envolvendo um adolescente de 12 anos e um homem de 55.
Nas aldeias, consideradas o principal foco da epidemia, os números seguem elevados. São 1.996 notificações, com 1.115 casos confirmados e 227 atendimentos hospitalares registrados.
A análise da Secretaria de Saúde aponta que a chikungunya já provoca sobrecarga na atenção básica, nas unidades de urgência e também nos leitos hospitalares, com tendência de avanço para todo o território do município.