Sete candidatos participaram do encontro promovido pela Morena FM e site Primeira Página
O primeiro debate entre os candidatos a governador de Mato Grosso do Sul foi marcado pelos ataques ao governador Eduardo Riedel (PP), único ausente, à corrupção e ao “azambujismo”, referência ao ex-governador Reinaldo Azambuja (PL). Por outro lado, mesmo nos blocos com tema definidos, houve pouca apresentação de propostas por parte dos sete participantes.
Promovido pela Morena FM e Primeira Página, o debate começou com 14 minutos de atraso, e ocorreu das 7h44 às 9h, e contou com a participação dos candidatos a governador Daniel Lemes (PCO), Delcídio do Amaral (PRD), Fábio Trad (PT), Jeferson Bezerra (Agir), João Henrique Catan (Novo), Lucien Rezende (PSOL) e Renato Gomes (DC).
Fábio aproveitou as oportunidades para se apresentar como o candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Mato Grosso do Sul. “Sou o candidato do Lula”, ressaltou em mais de uma ocasião.
Apesar de estar na chapa do ex-governador de Minas, Romeu Zema (Novo), João Henrique se distanciou do bolsonarismo ao falar sobre o escândalo do Banco Master. Ele afirmou que não defende Lula nem Flávio Bolsonaro (PL), que teve áudio divulgado no qual pede US$ 61 milhões para o banqueiro Daniel Vorcaro, preso acusado de dar o maior golpe bancário no País. “Não vim defender o Lula nem o Flávio”, reagiu o deputado estadual que construiu a carreira como bolsonarista.
Riedel tinha antecipado de que não iria ao debate, que ocorreu no horário de expediente, mas antecipou que participará dos outros dois confrontos, a serem realizados pelo Midiamax e pela TV Morena no final do próximo mês.
Denúncias de corrupção
Delcídio criticou a gestão de Riedel, a qual definiu como “governo absolutamente de elite”. O ex-senador também tentou colar o atual governador em Reinaldo Azambuja e criticou o “azambujismo” que controla a política sul-mato-grossense.
Fábio também tentou colar na atual administração ao antecessor. “Desde 2015, esse modelo de gestão Reidel e Azambuja, a população não é bem atendida”, criticou o ex-deputado. Em seguida, ele citou a precariedade na saúde, o Ideb baixo e o fato de MS ser “campeão em feminicídio”.
“É por incompetência desse governo do Estado”, criticou Daniel Lemes, que surpreendeu pela articulação e repostas claras. Ele criticou a gestão estadual por colocar a polícia contra protesto dos indígenas e chegou a dizer que foram “fuzilar” quando houve o protesto contra a falta de água nas aldeias. “Quando esses políticos foram procurar vocês, batem a porta na cara”, aconselhou.
Fábio e Renato Gomes criticaram a renúncia fiscal que seria de R$ 12 bilhões. “o Governo deixou de arrecadar R$ 12 bilhões para beneficiar grandes empresários que nem moram no Brasil”, atacou petista.
Os candidatos fizeram críticas à rota bioceânica. Delcídio destacou que o melhor caminho para baratear as vendas para a China é passando pela Bolívia e Peru e não pelo Paraguai. Ele defendeu reativar a ferrovia para reduzir o custo da exportação no Estado. “Rota bioceânica, cantam de galo que é a solução do mundo”, detonou.
“O Governo é racista, preconceituoso, atacam os seres humanos lutando pelos seus direitos”, criticou Daniel, sobre a ofensiva contra indígenas durante protestos por terra e água no Estado. Ele também denunciou os 24 deputados estaduais, que “não fazem nada para denunciar” e ainda disse que “existe deputado que aplaude o feminicídio”. Ele não falou do nome do parlamentar.
Ao falar das falhas na saúde, Fábio Trad citou nominalmente pacientes que foram prejudicados pela precariedade no atendimento da Central de Regulação, cujo coordenador geral, Ed Carlo Britto Burgatt, foi preso na Operação Gutenberg.
“Quero falar da dona Inês em Dourados, que esperou seis horas por vaga e morreu. Vou lembrar da dona Carmen que perdeu a visão e esperou por dois anos no setor de regulação”, lamentou o ex-deputado. Para Lucien Rezende, Riedel prometeu regionalizar a saúde, mas não tirou a promessa do papel. “Para resolver o problema, basta vontade política”, avaliou psolista.
Em um dos momentos, além de criticar o Governo por priorizar o repasse de recursos para o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul Rosa Pedrossian e deixar outros, como a Santa Casa de Campo Grande com menos recursos, João Henrique prometeu criar o prontuário digital e criar aplicativo, para que as pessoas possam acompanhar todo o procedimento pelo telefone celular.
O deputado aproveitou também para criticar a gestão da Cassems e prometeu acabar com a contribuição de R$ 450 do cônjuge caso seja eleito governador. Ele usou o plano de saúde dos servidores para atacar o PT, que disse controlar a entidade, e o Governo por não cobrar transparência nem a correta aplicação dos recursos. Delcídio disse que fez parte da instituição da Cassems e lamentou a atual situação do plano de saúde.
Na área da segurança, Fábio criticou o valor do auxílio alimentação pago aos policiais militares. “É lastimável R$ 100 de aux´lilio alimentação para PM. O Riedel não nos protege”, criticou. Também criticou o adiamento da convocação dos 415 policiais civis, que foi adiada de julho para o início de 2027.
Jeferson aproveitou uma pergunta para Fábio para atacar o PT. Ele ligou o partido ao demónio e a corrupção. Fábio comparou a situação aos escândalos envolvendo as igrejas e destacou que compartilha dos valores do partido. “Compartilho dos valores do PT e tenho orgulho de ser o candidato do Lula em Mato Grosso do Sul”, afirmou.
Em outro momento, Renato Gomes atacou a corrupção e citou o bloqueio de R$ 270 milhões de Reinaldo Azambuja pelo Superior Tribunal de Justiça. Candidato a senador, o ex-governador foi alvo da Operação Vostok e acusado pelo MPF de receber R$ 67,7 milhões em propina da JBS e causar prejuízo de R$ 209,7 milhões aos cofres públicos.
No entanto, o ministro Dias Toffoli, do STF, determinou o trancamento da ação penal e livrou o ex-tucano de responder pelos crimes de corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A ação penal foi arquivada pela ministra Isabel Gallotti, do STJ.