A eleição de 2026 marcou uma mudança importante na trajetória política de Lia Nogueira (PSDB). Depois de uma ascensão considerada rápida — da primeira tentativa frustrada de chegar à Câmara de Dourados, em 2016, à eleição como vereadora em 2020 e, dois anos depois, à chegada à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul — a deputada não conseguiu renovar o mandato nas urnas neste domingo (4).
Lia terminou a disputa por uma cadeira na Assembleia com 16.748 votos, segundo os dados consolidados da apuração. O resultado a deixou fora das 24 vagas para a legislatura 2027-2030. O fracasso nas urnas pode impactar diretamente a carreira de Lia Nogueira na política e comprometer seus projetos futuros.
A derrota interrompe uma trajetória que ganhou força principalmente a partir de Dourados e que levou a parlamentar a ampliar sua votação de forma expressiva em apenas dois anos.
Natural de Dourados, Maria Imaculada Nogueira, conhecida politicamente como Lia Nogueira, construiu sua primeira base de reconhecimento público no jornalismo. Antes de entrar na política, trabalhou por mais de duas décadas na comunicação, com passagens pelo rádio e pela televisão.
A primeira tentativa eleitoral ocorreu em 2016, quando disputou uma vaga de vereadora em Dourados e não conseguiu se eleger. Em tentativa posterior, a própria Lia relembrou aquela campanha como uma experiência difícil, afirmando que ficou pouco mais de 90 votos atrás de uma vaga e que a derrota teve forte impacto pessoal.
Quatro anos depois da primeira tentativa, Lia voltou às urnas e conseguiu se eleger vereadora de Dourados, pelo então PP, com 1.880 votos. Foi a segunda maior votação para a Câmara Municipal naquele pleito, ficando apenas 14 votos atrás do candidato mais votado, segundo registros da época.
Na Câmara, apesar de ter sido eleita no palanque do então prefeito Alan Guedes, construiu uma imagem de parlamentar de oposição.
O posicionamento mais combativo ajudou a projetar seu nome para além do Legislativo municipal. Em entrevista em 2025, Lia afirmou que o período na Câmara foi marcado por embates políticos e que suas fiscalizações contribuíram para ampliar sua exposição pública.
Ainda vereadora, Lia deixou o PP e disputou uma vaga de deputada estadual pelo PSDB. A candidatura conseguiu transformar a votação municipal de 2020 em uma votação de alcance estadual.
Foram 15.155 votos, sendo aproximadamente 12,9 mil em Dourados. Ela foi eleita pelas regras do sistema proporcional e passou a ocupar uma das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa.
O salto foi significativo: em apenas dois anos, Lia passou de 1.880 votos na eleição para vereadora para mais de 15 mil na disputa estadual. Dourados continuou sendo o principal centro de sua força eleitoral, mas a votação passou a alcançar dezenas de municípios sul-mato-grossenses.
Entre as pautas apresentadas durante o mandato estiveram questões relacionadas à saúde, proteção das mulheres, famílias atípicas, crianças e entidades sociais. Também atuou na destinação de recursos para municípios e instituições.
Na campanha pela reeleição, o PSDB apresentou justamente esse histórico como parte da justificativa para a tentativa de renovação do mandato, destacando projetos, recursos e ações desenvolvidas pela parlamentar.
Paralelamente, Lia também ganhou espaço dentro da estrutura partidária. Em 2026, chegou à vice-presidência do PSDB de Mato Grosso do Sul, enquanto Pedro Caravina assumiu a presidência estadual da legenda. O partido buscava reorganizar sua estrutura para a eleição daquele ano.
A candidatura de 2026, portanto, tinha um cenário diferente daquele enfrentado quatro anos antes. Lia já não era uma estreante. Chegava à disputa como deputada estadual em exercício, com uma trajetória eleitoral consolidada em Dourados, participação na direção partidária e um mandato de quatro anos na Assembleia.
O resultado, entretanto, não foi suficiente para garantir sua permanência.
Com 16.748 votos, Lia terminou entre os candidatos que não conquistaram uma das 24 cadeiras. A votação foi superior à obtida em 2022, quando recebeu 15.155 votos, mas o crescimento individual não se converteu em reeleição.
A derrota de Lia também ocorre em meio a uma mudança na composição da Assembleia Legislativa.
O PSDB conseguiu eleger nomes como Caravina, com 43.845 votos, Ângelo Guerreiro, com 37.704, e Paulo Duarte, com 20.029, além de outros integrantes da legenda/federação. Lia, entretanto, ficou fora da relação dos 24 eleitos.
Com isso, ela se junta a outros parlamentares que tentaram renovar o mandato e também não conseguiram. Entre eles estão Júnior Mochi (MDB) e Antônio Vaz (Republicanos).
A eleição de 2026 termina como o primeiro grande revés eleitoral de Lia Nogueira desde sua chegada à Câmara de Dourados. O mandato na Assembleia termina no fim de 2026, e a próxima etapa de sua carreira política será definida a partir de uma posição diferente daquela que ocupava até agora: a de ex-deputada estadual, após quatro anos como representante de Dourados no Legislativo sul-mato-grossense.
Suelen
Perdeu mesmo e feio. Sequer cumprimenta as pessoas, nariz empinado.