A Justiça de Mato Grosso do Sul decretou a prisão preventiva de Michael Nunes Antunes, de 28 anos, e Leonis Caceres Quintana, de 24 anos, investigados por homicídio qualificado na forma tentada, em decisão proferida neste sábado (26), durante o plantão judiciário da comarca de Dourados.
Segundo a decisão, os dois foram presos em flagrante após serem encontrados no interior de um Gol, de onde, conforme relatos de testemunhas registrados no processo e vídeo gravado por câmera de monitoramento (veja acima), teriam efetuado disparos contra moradores e pessoas próximas a uma casa, no Parque das Nações II Plano. A motivação apontada nos autos seria uma possível vingança. O caso envolve uma rixa antiga entre famílias.
O juiz Marcel Goulart Vieira considerou presentes indícios de materialidade e autoria e homologou o flagrante. A decisão também levou em conta, entre outros fatores, a gravidade do crime investigado e registros de condenações definitivas em nome dos dois autuados.
Com a decisão, foram expedidos mandados de prisão preventiva. Os investigados deverão passar por audiência de custódia neste sábado (26), às 13h10. A decisão determina ainda que a necessidade de manutenção da prisão seja reavaliada a cada 90 dias, conforme previsto na legislação.
O atentado
Segundo o registro policial, um grupo de homens em um veículo Gol, de cor cinza, teria passado em frente ao imóvel e efetuado diversos disparos contra as pessoas que estavam no local. A moradora entregou à Força Tática seis cápsulas de pistola 9 mm encontradas após o ataque e apresentou imagens de câmeras de segurança que registraram a ação.
Ainda conforme o relato da ocorrência, a vítima reconheceu dois suspeitos: Michael Nunes Antunes, apontado como o autor dos disparos, e Leonis Cáceres Quintana, indicado como o motorista do veículo. A polícia também registrou a existência de uma antiga rixa entre as famílias envolvidas, relacionada, segundo o depoimento, à morte de Leandro Cáceres Quintana, irmão de Leonis.
Após o ataque, equipes da Força Tática iniciaram buscas pelos suspeitos. Eles foram localizados em uma residência na Rua Arthur Ferreira Pinto. Durante a abordagem, foram encontradas com Leonis cinco munições intactas de calibre 9 mm. Segundo os policiais, o calibre era compatível com os estojos recolhidos no local dos disparos.
Ainda de acordo com o boletim, Leonis indicou que colaboraria para localizar a arma, mas teria resistido durante a ação policial e entrado em confronto físico com os agentes. Durante a busca no imóvel, os policiais encontraram, dentro de um cesto de roupas sujas, uma pistola 9 mm IMI Jericho 941F, com uma munição na câmara e outras 16 no carregador.
Conforme o registro policial, Michael assumiu a propriedade da arma e afirmou que o armamento não tinha procedência. Ele também teria declarado que mantinha a pistola para se defender de integrantes do PCC.
Os dois homens receberam voz de prisão e foram encaminhados à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac). Eles foram autuados em flagrante por tentativa de homicídio e porte ilegal de arma de fogo.
Barbeiro
Leandro Cáceres Quintana era barbeiro e foi assassinado aos 22 anos com um tiro em frente à sua barbearia, na Vila São Brás, em janeiro de 2026. Matheus de Souza Gaúna foi preso como autor do crime. Ele alegou que o tiro foi acidental, disparado no momento em que discutia com outro homem, desafeto seu.
A morte de Leandro gerou uma série de episódios violentos e desdobramentos policiais envolvendo sua família ao longo do ano. Em 7 de março de 2026, o pai de Leandro, Laudemir Quintana Prado, foi baleado em frente a uma conveniência no Parque das Nações II, em um atentado investigado pela polícia como possível acerto de contas ou retaliação relacionada à morte do barbeiro.
Veja abaixo os vídeos do momento em que os dois chegavam à delegacia:
Imagens Leandro Holsbach
Imagens Leandro Holsbach