A advogada Tayla Campos Weschenfelder, que move ações contra o Grupo ICA, acionou a OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil) em Dourados e a PF (Polícia Federal) e denunciou que passou a sofrer ataques diretos, difamações e intimidações promovidas por representantes da empresa após assumir a defesa de investidores locais. Nesta semana, ela protocolou um pedido urgente de providências na Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas.
"A tentativa de criminalizar o exercício regular da advocacia e coagir uma profissional por meio de terror psicológico é a prova máxima do desespero de quem foi desmascarado documentalmente. Não estamos lidando com um mero descumprimento de contrato, mas com um esquema complexo de dilapidação patrimonial. A advocacia não vai se acovardar diante de ameaças de quem tenta usar o medo como escudo para a impunidade", afirmou Tayla Campos Weschenfelder ao portal Campo Grande News.
“Em uma tentativa de isolar a profissional e amedrontar as vítimas, prepostos do grupo passaram a assediar os clientes da advogada, acusando-a de ‘inflamar’ a situação e proferindo ameaças de que ela ‘será acionada na hora certa’", diz trecho da nota divulgada pela advogada.
Também ao Campo Grande News, a presidente da subseção da OAB em Dourados, Edna Borelli, afirmou que o caso será analisado. “Temos acompanhado pela imprensa que é uma situação que vem se arrastando a partir deste ano, com possível prejuízo a algumas pessoas pela empresa citada. Mas a gente precisa olhar para o advogado, para que ele possa exercer a sua função sem nenhuma violação de prerrogativa, sem nenhuma intimidação. Isso é inadmissível e nós não toleramos de forma alguma. Porque o advogado precisa trabalhar de uma forma segura e tranquila”.
Entenda o caso
A Justiça de Dourados recebeu 11 ações contra o Grupo ICA cobrando R$ 5 milhões em investimentos perdidos. Os denunciantes são empresários, profissionais liberais (advogado, contador, médico veterinário) e servidora pública que aportaram dinheiro no grupo. Segundo as ações, as promessas eram de retorno de até 2,5%, mas os rendimentos deixaram de ser creditados desde março deste ano. O ICA mantém escritório no cruzamento das ruas Major Capilé e Melvin Jones, na área central de Dourados.
Os processos têm valores individuais de R$ 54 mil a R$ 1.128.450,00. Segundo as denúncias, os rendimentos iam bem até o primeiro semestre de 2026. Depois, a operação passou a apresentar sinais de colapso financeiro e inadimplemento generalizado. A justificativa inicial do grupo era de suposta "auditoria e limitação" por parte do Banco Central. A versão caiu por terra após diligências da advogada.
Questionado pela reportagem do site da Capital sobre a interrupção dos pagamentos, o grupo justificou que passa por processo de reorganização societária, operacional e regulatória, decorrente da implementação de uma nova estrutura de negócios vinculada a um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios).
O Grupo ICA também rejeitou integralmente as alegações de que representantes da empresa teriam praticado atos de intimidação, coação, ameaça ou difamação contra a advogada.
"As afirmações divulgadas são unilaterais e carecem de comprovação, razão pela qual o Grupo ICA considera inadequada qualquer tentativa de apresentar como fato consumado acusações que, até o momento, não foram submetidas ao devido contraditório nem reconhecidas por qualquer autoridade competente. O Grupo ICA atua estritamente dentro dos limites legais e éticos, exercendo regularmente seus direitos de defesa e de comunicação com as partes envolvidas em procedimentos judiciais e negociais", diz a empresa, em nota.
O grupo alega ainda que em nenhum momento foi adotada ou autorizada qualquer conduta destinada a constranger profissionais da advocacia, investidores ou terceiros. "A empresa entende que divergências jurídicas devem ser debatidas nos fóruns competentes, com base em provas e argumentos técnicos, e não por meio da divulgação de acusações que possam gerar conclusões precipitadas perante a opinião pública".
O ICA é considerado uma fintech – empresa que une finanças e tecnologia para oferecer serviços financeiros de forma digital, ágil e desburocratizada. O termo vem da junção das palavras em inglês financial e technology.